O julgamento do homem de 25 anos, acusado de matar a ex-namorada com 21 facadas em São Mamede de Infesta, teve o seu início oficial esta sexta-feira, 27 de março de 2026, no Tribunal de Matosinhos.
Perante o coletivo de juízes, o arguido, que se encontra em prisão preventiva, confessou a autoria do crime ocorrido a 4 de agosto de 2025, descrevendo um cenário de descontrolo emocional e raiva após ter surpreendido a vítima na cama com outro homem.
Durante o seu depoimento, o arguido apresentou uma narrativa de arrependimento, pedindo desculpa às famílias envolvidas e ao homem que também esfaqueou na data dos factos. Alegou que, no momento do crime, sentiu algo que “ardia e queimava” dentro de si, justificando a violência extrema com o desejo de silenciar a ex-namorada: “Só queria que ela parasse de falar e de mentir, por isso, fui para cima dela e ela ficou quieta e calou-se”. O homem sublinhou que o que mais o consumiu não foi apenas a traição, mas o facto de ter abdicado de tudo pela relação de três anos que mantinham.
De acordo com a acusação, o arguido entrou na residência às escondidas e, antes de desferir os golpes com duas facas de cozinha, chegou a filmar as vítimas para provar que estava a ser enganado, uma vez que considerava que o casal estava apenas “afastado” e não separado. Relativamente ao homem que sobreviveu ao ataque, o arguido assegurou que não tinha intenção de o matar, mas apenas de o “magoar”, por ser o acompanhante da sua ex-parceira naquele momento.
Após o homicídio, o jovem — que residia em Portugal há quatro anos — conduziu o carro da vítima até ao Aeroporto de Lisboa, mesmo sem possuir carta de condução, com o intuito de fugir para o Brasil. Em tribunal, justificou a tentativa de fuga com o desejo de cumprir a pena junto da sua família no país de origem. O processo continua agora com a audição de testemunhas e peritos para apurar a responsabilidade criminal exata de um crime que chocou a comunidade de Matosinhos pela sua brutalidade.