A detenção de um ex-polícia francês de 41 anos pela GNR, na noite de terça-feira, 24 de março de 2026, desvendou um cenário de horror que se estendia desde o sul de França até ao distrito da Guarda.
O suspeito foi intercetado numa fiscalização rodoviária de rotina na Estrada Nacional 102, no concelho da Mêda, após os militares suspeitarem da autenticidade dos seus documentos. No interior do veículo, além de uma arma ilegal e 17 mil euros em dinheiro, as autoridades encontraram os dois filhos do detido — uma criança de 12 anos e um bebé de 18 meses — que haviam sido dados como raptados.
A investigação da Polícia Judiciária (PJ), acionada de imediato pela GNR face à gravidade das suspeitas, permitiu localizar na manhã de quarta-feira, 25 de março, os corpos de duas mulheres enterrados num local ermo na região da Mêda.
Segundo as autoridades e os media franceses, as vítimas são a atual companheira e a ex-companheira do suspeito, desaparecidas desde a última sexta-feira em Aveyron, França. O crime, que chocou a opinião pública dos dois países, terá sido executado após o suspeito atravessar a fronteira com as vítimas e os filhos, procurando refúgio em solo português.
O detido, que já estava referenciado pelas autoridades francesas por crimes de elevada gravidade, foi autuado em flagrante delito por falsificação de documentos e posse ilegal de arma, mas enfrentará agora acusações de duplo homicídio e rapto. O inquérito é titulado pelo Ministério Público da Mêda, onde o ex-polícia será presente a primeiro interrogatório judicial para a aplicação das medidas de coação. As crianças, encontradas com vida e em segurança, foram entregues aos cuidados das entidades competentes enquanto se aguarda a articulação com os serviços sociais franceses.
Este caso de cooperação policial transfronteiriça realça a eficácia da partilha de informações entre a PJ e as autoridades francesas, permitindo encerrar uma busca que durava há cinco dias. As diligências prosseguem agora para a identificação formal das vítimas e a consolidação da prova pericial, enquanto a comunidade local da Mêda tenta absorver o impacto de um crime de contornos tão bárbaros ocorrido numa zona habitualmente pacata.