O cantor e compositor cabo-verdiano Mário Marta morreu, esta quinta-feira, aos 53 anos, em Lisboa, disse hoje à Lusa fonte familiar do artista que participou na edição deste ano do Festival da Canção com o tema ‘Pertencer’, de Djodje, eliminado na primeira semifinal.
“Mário Marta destacou-se como um artista de grande sensibilidade e dedicação à música cabo-verdiana, conquistando o respeito do público, dentro e fora do país”, referiu a família, numa mensagem em que classifica a morte como “uma perda irreparável para a música e cultura nacional”.
Conhecido pela sua ligação às mornas e coladeiras, géneros da música tradicional cabo-verdiana, Mário Marta nasceu a 30 de agosto de 1972, na Guiné-Bissau, filho de pai guineense e mãe cabo-verdiana. Viveu na Guiné-Bissau e em Angola, antes de se fixar em Portugal.
Ao longo da carreira, participou em festivais como o Morna Fest e o Atlantic Music Expo (AME), um dos principais eventos internacionais de música realizados em Cabo Verde. Este ano, atuou no Festival da Canção com o tema “Pertencer” de Djodje, mas sem passar à final.
Tendo iniciado o seu percurso a fazer coros para artistas portugueses e africanos, Marta integrou o grupo gospel Shout!, fundado por Sara Tavares, tendo posteriormente acompanhado Djodje, com quem partilhava laços familiares (ambos sobrinhos do falecido cantor cabo-verdiano Maiúka Marta), em estúdio e em palco.
“Ser de Luz”, o único álbum que deixa, foi editado em 2021 e conquistou três prémios nos Cabo Verde Music Awards. Ao longo do seu percurso musical, colaborou com artistas como Lura, Pierre Aderne, Midda Borges ou Neuza e atuou com a Banda Monte Cara.
Em comunicado, o Ministério da Cultura de Cabo Verde manifestou pesar pela morte do cantor, destacando-o como “uma voz marcante que uniu, com sensibilidade e autenticidade, as raízes culturais” e “um intérprete singular, dotado de uma presença em palco intensa e de uma voz carregada de emoção e identidade”.
“Mário Marta destacou-se como um apaixonado e exímio intérprete da música tradicional cabo-verdiana, levando estes géneros a novos públicos, sem nunca perder a sua essência”, acrescentou.
Também a Sociedade Cabo-verdiana de Música destacou que o artista construiu um percurso “marcado pelo talento, autenticidade e uma forte ligação às mornas e coladeiras, conquistando o respeito e a admiração do público, tanto em Cabo Verde como na diáspora”.
“A sua partida representa uma grande perda para a cultura e para a música nacionais. Será lembrado não só pela sua voz, mas também pela sua humildade, generosidade e contributo artístico”, referiu.