O treinador do Estoril Praia, Ian Cathro, não escondeu a sua frustração após a derrota por 1-3 frente ao FC Porto, na 29.ª jornada da I Liga.
Numa análise autocrítica e carregada de ironia, o técnico escocês sugeriu que a sua postura de respeito pelo fluxo do jogo pode estar a prejudicar a equipa. Cathro admitiu que “o treinador falhou” ao não forçar uma interrupção técnica, referindo que deveria ter pedido ao guarda-redes Robles para se atirar ao chão logo aos 10 minutos, de forma a conseguir ajustar a pressão defensiva que a equipa não estava a conseguir comunicar em campo.
Durante a conferência de imprensa, o técnico lamentou as dificuldades sentidas no controlo da posse de bola e na organização tática, afirmando que, perante a eficácia de estratégias de antijogo noutras equipas, pondera abdicar dos seus princípios de fair-play. “É guarda-redes para o chão, parar o jogo e vou fazer os time outs também”, declarou, visivelmente agastado com a incapacidade de corrigir os problemas de posicionamento da sua equipa durante o tempo útil da primeira parte.
A nível físico, Cathro destacou a situação precária do setor defensivo, revelando que o Estoril disputou os últimos dois encontros com todos os defesas centrais lesionados. O técnico elogiou o sacrifício de Felix Bacher, que jogou condicionado, e de Ferro, que fez um esforço para estar no banco, justificando assim a falha na regra defensiva que originou o primeiro golo dos dragões. Para o treinador, é impossível competir ao mais alto nível sem ter dois centrais de raiz em plenas condições físicas.
Olhando para o futuro, Ian Cathro sublinhou a necessidade de retirar aprendizagens em conjunto com a estrutura do clube. Com o final da época a aproximar-se, o técnico defende que o foco deve estar na luta diária pelos objetivos imediatos, mas também no planeamento da próxima temporada. Cathro reforçou a ambição do grupo e a urgência de perceber se existem as condições necessárias para levar o projeto do Estoril para o próximo nível competitivo.