Quinze agentes da PSP estão desde o final da manhã desta terça-feira a ser detidos por crimes como tortura, ofensas graves à integridade física e violação cometidos no interior das esquadras do Rato e do Bairro Alto, em Lisboa, sobre pessoas particularmente vulneráveis, como sem-abrigo, toxicodependentes e estrangeiros no âmbito da mesma investigação liderada pelo DIAP de Lisboa, em articulação com a PSP, em que já estão outros nove polícias em prisão preventiva, apuraram a TVI e a CNN Portugal.
Em paralelo, a CNN Portugal sabe que também foi detido um segurança de um estabelecimento de diversão noturna.
Além das detenções, há buscas a decorrer em várias esquadras onde atualmente estão colocados os suspeitos, nomeadamente na sede da 1.ª Divisão da PSP de Lisboa.
Os primeiros dois agentes envolvidos neste caso foram presos em julho do ano passado e já foram acusados e pronunciados para julgamento. Num segundo processo, por factos idênticos, o Ministério Público avançou em março passado para mais sete detenções, de agentes que se encontram também na prisão de Évora – e agora há novas detenções, de mais de uma dezena de polícias que foram nomeadamente identificados pelas vítimas e em vídeos feitos por telemóvel pelos agressores, que depois partilhavam em grupos nas redes WhatsApp e Telegram.
No caso dos primeiros polícias detidos, o tribunal entendeu que motivações racistas e xenófobas podem estar na origem dos crimes violentos que foram cometidos sobre vítimas indefesas – um entendimento que deverá agora estender-se aos restantes envolvidos. E também a maioria dos detidos nesta terceira operação da PSP arriscam agora ficar em prisão preventiva.
Estes novos detidos deverão ser acusados juntamente com os sete da operação de março, naquele que é o segundo processo relacionado com o caso. Mas há ainda dezenas de outros agentes na mira da justiça – os que não participaram diretamente nos crimes mas que tiveram conhecimento dos mesmos, através dos grupos nas redes sociais, e que se conformaram sem denunciar os colegas à hierarquia da PSP nem ao Ministério Público.
PSP