Maíza Dias, uma brasileira de 50 anos residente em Portugal há seis anos, decidiu quebrar o silêncio e denunciar publicamente o abuso sexual de que foi vítima no Hospital Beatriz Ângelo, em Loures.
Numa entrevista impactante concedida ao jornal O Globo e divulgada esta quinta-feira, 16 de abril de 2026, a esteticista e cuidadora detalhou o crime ocorrido no passado dia 2 de abril, enquanto recuperava de uma cirurgia delicada e se encontrava sob o efeito de sedação.
De acordo com o relato, o enfermeiro de 42 anos aproveitou o momento em que a paciente estava anestesiada da cintura para baixo para praticar atos sexuais de relevo. Maíza recorda que, embora não conseguisse reagir fisicamente, despertou e viu o agressor a tocar-lhe e a beijar-lhe o peito após levantar o lençol que a cobria. “Fiquei quieta, com medo dele e de morrer. Que ele envenenasse o meu soro”, confessou, descrevendo um cenário de total vulnerabilidade e terror psicológico.
O Processo Judicial e a Falta de Apoio
A denúncia seguiu os trâmites legais, mas o desfecho das medidas de coação tem causado indignação à vítima:
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Identificação e Detenção: Após queixa apresentada na PSP e encaminhada para a Polícia Judiciária (PJ), Maíza reconheceu o suspeito entre três indivíduos. O enfermeiro foi detido no dia 10 de abril, mas libertado após uma noite sob custódia.
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Medidas de Coação: O profissional foi afastado das suas funções no hospital e está impedido de contactar a vítima ou o local de trabalho, mas aguarda o desenrolar do processo em liberdade, o que Maíza considera insuficiente perante a gravidade do ato.
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Abandono Institucional: A vítima queixou-se da falta de acompanhamento por parte do hospital e das dificuldades em obter apoio jurídico e psicológico. Segundo a mesma, o apoio psicológico estatal apenas foi prometido para daqui a seis meses, tendo conseguido um advogado apenas através de um regime pro bono.
Maíza Dias, que ainda necessita de realizar uma segunda intervenção cirúrgica, afirmou já não confiar na unidade hospitalar e viver num estado de ansiedade constante. Ao tornar o seu caso público, a vítima pretende não só alertar outras mulheres para este tipo de abusos em contexto clínico, mas também incentivar eventuais outras vítimas do mesmo agressor a apresentarem queixa, temendo que este não tenha sido um caso isolado.