A análise de Luís Vilar, comentador da CNN Portugal, trouxe novamente à tona um dos episódios mais debatidos da história recente do SL Benfica: a curta e conturbada passagem de José Mourinho pela Luz no ano 2000. Num momento em que o técnico atravessa um período de pressão no comando atual das águias, a recordação do seu início de carreira serve para traçar paralelismos com a cultura de exigência e instabilidade do clube.
Segundo o comentador, a contratação de Mourinho para substituir Jupp Heynckes foi um “erro estratégico”, não pela competência do treinador — que viria a tornar-se um dos melhores do mundo —, mas pelo contexto “radioativo” que o Benfica vivia na altura.
O Contexto de 2000: O “Vulcão” da Luz
Para sustentar a sua posição, Luís Vilar recorda os fatores que condenaram aquela primeira experiência de Mourinho:
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Crise Institucional: O clube estava mergulhado numa guerra civil pelo poder, com eleições à porta que acabariam por opor João Vale e Azevedo a Manuel Vilarinho.
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Instabilidade Financeira: O Benfica atravessava um dos períodos mais negros das suas contas, o que limitava a capacidade de reforçar o plantel e dar garantias de sucesso imediato.
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Timing do Treinador: Sendo um treinador em início de carreira, Mourinho precisava de uma estrutura sólida que o protegesse, algo que a Luz, naquele momento, era incapaz de oferecer.
O Desfecho Histórico
Recorde-se que, apesar de ter conquistado rapidamente o balneário e os adeptos — culminando numa vitória memorável por 3-0 frente ao Sporting CP —, Mourinho acabaria por sair após apenas 11 jogos. O pedido de renovação de contrato feito a Manuel Vilarinho (que acabara de ganhar as eleições) foi interpretado como um ultimato, levando à saída prematura do técnico que, pouco depois, faria história no FC Porto.
Esta reflexão de Luís Vilar surge num timing curioso, numa altura em que se discute se o Benfica atual, sob a presidência de Rui Costa, oferece ou não as condições ideais para que a segunda era de Mourinho na Luz — agora como um veterano consagrado — termine com um desfecho diferente do verificado há 26 anos.