O cenário do futebol português voltou a subir de tom esta sexta-feira, 10 de abril de 2026, com a entrada de uma participação disciplinar contra André Villas-Boas na Federação Portuguesa de Futebol (FPF).
O autor da queixa é João Diogo Manteigas, sócio e antigo candidato à presidência do Benfica, que considera “ofensivas” as declarações proferidas pelo presidente do FC Porto no editorial da edição de março da revista Dragões.
Em causa estão palavras duras escritas por Villas-Boas a propósito do caso dos emails e do pedido de sanções feito pelos encarnados contra o clube portuense. No texto, o dirigente portista utilizou metáforas religiosas para criticar o rival, referindo-se a uma “associação desportiva conhecida por contratar ‘padres’ para rezar ‘missas’ em eventos desportivos”. As declarações visaram diretamente o historial jurídico do clube da Luz, num editorial que rapidamente se tornou viral.
A Alusão a Paulo Gonçalves
Um dos pontos mais sensíveis da participação disciplinar prende-se com a referência explícita feita por André Villas-Boas a Paulo Gonçalves, antigo assessor jurídico do Benfica. No editorial, o presidente do FC Porto escreveu:
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Crítica à Justiça: Desejou sorte à justiça para provar a veracidade dos factos revelados.
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O “Bode Expiatório”: Afirmou que as probabilidades de “aparecer um Gonçalves qualquer para ser usado como bode expiatório são altíssimas”, numa alusão clara aos processos judiciais que envolveram o ex-assessor.
Reação e Consequências
Para João Diogo Manteigas, estas afirmações ultrapassam a liberdade de expressão e configuram uma ofensa à honra e à imagem do Sport Lisboa e Benfica. Ao avançar com a participação junto do Conselho de Disciplina da FPF, o advogado pretende que as instâncias desportivas analisem se houve violação dos regulamentos disciplinares que regem o comportamento dos dirigentes.
Este novo capítulo na guerra jurídica entre os dois rivais surge numa fase crucial da época, reacendendo a tensão institucional num momento em que ambos os clubes lutam por objetivos desportivos e pela transparência nos processos que envolvem o futebol nacional. Caberá agora à FPF decidir se as palavras de Villas-Boas justificam a abertura de um processo de inquérito ou sanções disciplinares.