O desfecho de um dos casos criminais mais mediáticos da Albânia foi selado nesta quarta-feira, 25 de março de 2026.
O Tribunal de Lezha condenou o português Ruben Saraiva à pena máxima de prisão perpétua pelo assassinato do empresário e político Ardian Nikulaj, ocorrido em abril de 2023. A sentença confirmou a tese do Ministério Público de que o português atuou como “executor por contrato”, num crime motivado por uma sangrenta história de vingança entre clãs albaneses.
A decisão do tribunal baseou-se em provas consideradas irrefutáveis, com destaque para as imagens de videovigilância do hotel “Coral”, em Shëngjin. Os juízes não tiveram dúvidas de que era Ruben Saraiva quem, sob uma máscara de mergulho e um colete fluorescente, disparou sete tiros contra Nikulaj enquanto este estava sentado no bar da sua própria unidade hoteleira. Além do homicídio, o português foi condenado por posse ilegal de armas e munições.
Os Detalhes da Trama de Vingança
A investigação revelou uma operação internacional meticulosa que envolveu vários cidadãos estrangeiros:
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O Mentor: Ruben Saraiva terá sido contratado por Edmond Haxhia, residente no Reino Unido, que pretendia vingar a morte de familiares num conflito que remonta a 1997. No entanto, o tribunal sublinhou que, nesta fase, ainda não existem provas suficientes para condenar Edmond e o seu irmão pelo crime.
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O Grupo de Observação: Três cidadãos britânicos viajaram para a Albânia dias antes do crime para monitorizar os passos da vítima. Estes cúmplices aguardam a decisão final de extradição do Reino Unido para a Albânia.
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A Fuga e Detenção: Após o crime, Saraiva fugiu para a Grécia e, posteriormente, foi detido em Rabat, Marrocos, em maio de 2023, tendo sido extraditado para a Albânia no final desse ano.
Apesar da condenação, Ruben Saraiva manteve a sua postura de negação até ao último momento, contestando o envolvimento no homicídio. A leitura da sentença decorreu sob um dispositivo de segurança excecional, refletindo a perigosidade do caso e a tensão entre as famílias envolvidas. Com esta decisão, a justiça albanesa encerra o capítulo sobre o autor material, enquanto o processo continua a correr nos tribunais de Londres para determinar o destino dos restantes suspeitos de planeamento e vigilância.