A sentença aplicada a Mary Fong Lau, a condutora de 80 anos responsável pelo trágico acidente que dizimou uma família luso-brasileira em São Francisco, nos EUA, está a gerar uma enorme onda de revolta e indignação entre familiares, procuradores e a comunidade local.
O veredicto, conhecido no passado dia 20 de março, determinou que a idosa não irá cumprir qualquer pena de prisão efetiva ou domiciliária.
Mary Fong Lau foi condenada a dois anos de liberdade condicional, à suspensão da carta de condução e ao cumprimento de 200 horas de serviço comunitário. Em tribunal, ficou provado que a arguida conduzia a 112 km/h quando se despistou contra uma paragem de autocarro a 16 de março de 2024. Apesar de se ter declarado inocente de todas as acusações (homicídio, condução negligente, em contramão e acima do limite legal), o seu advogado afirmou que a idosa se encontrava “irremediavelmente transtornada”. Na altura da detenção, a condutora alegou que não sabia o que tinha acontecido, mas que não conseguira travar o veículo.
Decisão do Juiz sob Forte Crítica
A comunidade e os familiares das vítimas contestam veementemente a posição do juiz Bruce Chan, do Tribunal Superior de São Francisco. O magistrado justificou a ausência de uma pena de prisão com base nos “remorsos” demonstrados por Mary Fong Lau e pelo facto de a própria arguida ter perdido o marido num acidente de viação quando tinha 25 anos. “A senhora Mary também passará o resto dos seus dias a viver com a consciência do mal que causou”, justificou o juiz.
A acusação reagiu com dureza. A procuradora Brooke Jenkins classificou a decisão como uma falha de Justiça, sublinhando o facto de o tribunal ter aceitado uma declaração de inocência em vez de exigir que a idosa assumisse a responsabilidade pela perda de quatro vidas. Jenkins alertou ainda para o perigo de a ré poder vir a recuperar a licença de condução após o período de suspensão:
“Isto não é Justiça. Isto não é assumir a responsabilidade pela perda de quatro vidas inocentes. Ela mostrou que não é uma condutora de confiança nas estradas da Califórnia nem de São Francisco.”
Mobilização Popular e a Tragédia da Família
Antes da leitura da sentença, uma petição pública organizada por amigos e familiares reuniu mais de 14 mil assinaturas a exigir uma punição proporcional ao crime e a salvaguarda da segurança pública, uma mobilização que acabou por não alterar a decisão dos magistrados.
O violento acidente ocorreu quando a família passeava para celebrar o aniversário de casamento, tendo como destino planeado o Jardim Zoológico de São Francisco:
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Diego Cardoso de Oliveira (40 anos): Diretor de criação associado na Apple, com uma carreira de grande sucesso em agências de publicidade em Londres e no Brasil. Faleceu no local.
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Joaquim (1 ano): Filho mais velho do casal. Faleceu no local.
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Matilde Moncada Ramos Pinto (38 anos): Produtora executiva portuguesa na prestigiada RSA Films, que havia deixado Portugal aos 18 anos para estudar em Londres. Faleceu no hospital devido aos ferimentos graves.
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Cauê (3 meses): O bebé do casal ainda resistiu durante alguns dias no hospital, mas acabou por falecer a 20 de março de 2024, precisamente a data em que, dois anos mais tarde, seria lida a polémica sentença da condutora.